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Breve História da MPB

As definições do conjunto da produção musical que seria delimitado na categoria chamada “música popular” são, por vezes, insuficientes e ainda contraditórias entre si. Esta modalidade de produção musical envolve muitos fatores determinantes. Contam-se entre estes fatores, como os mais importantes, os contextos étnicos, históricos e socioculturais dos quais se originam tal modalidade, contando ainda o ponto de vista da nacionalidade de determinada produção musical.

Uma definição mais precisa deve, portanto, partir da distinção da música popular frente a outras modalidades da produção musical, como a chamada música erudita e a música de folclore, ainda que, muitas vezes, os limites destas categorias sejam cruzados em muitas obras musicais de gênio. A música erudita, por vezes, é composta ao sabor de tradições populares ou folclóricas.

Assim como, em algumas produções na música popular, elementos eruditos podem ser incorporados com a utilização de técnicas de orquestração e arranjo mais complexos. Uma definição de música popular que satisfaça às questões implicadas nesta presente abordagem seria a seguinte: música popular é a música que, sendo composta por autor conhecido, encontra-se difundida, com maior ou menor amplitude, em uma coletividade e todas as suas diferentes camadas sociais (esta definição foi proposta pela representação brasileira no Congresso Internacional de Folclore, realizado no ano de 1954, remetendo-se diretamente à questão da Música Popular Brasileira).

Buscando uma origem da música produzida em território nacional, encontramos a música produzida pelas incontáveis populações indígenas que se espalhavam pelo país. A música estava presente no cotidiano do índio, relacionada tanto ao simples prazer informal quanto às atividades de festejos ou ainda em rituais religiosos.

A música indígena envolvia danças rítmicas, sobretudo nos festejos religiosos, e a fusão entre música e dança era uma forma de celebração e culto de suas próprias crenças. Os sons da natureza se faziam presentes na música indígena, que por sua vez procurava mimetizar os sons de aves e animais silvestres.

Nota-se, então, que o meio em que tais populações viviam atuava de maneira bastante influente em suas manifestações musicais. Não se pode dizer que a música indígena teve influência fundamental na produção musical brasileira que viria no futuro, mas algumas de suas sonoridades melódicas foram, em alguns aspectos, retomadas muito mais tarde, na contemporaneidade, como aconteceu o Tropicalismo (ou Tropicália), movimento-síntese da música popular brasileira, como veremos mais adiante.

Também a imagem do índio como um dos elementos representativos da alma nacional foi incorporada em obras de diverso estilo. Isto ocorre tanto na obra “O Guarani”, de Carlos Gomes, quanto em muitas canções populares.

As influências decisivas na origem da música popular brasileira foram resultadas de uma série de incorporações de tradições estrangeiras. Inicialmente, com o processo da colonização portuguesa no Brasil acarretou em algumas influências: os portugueses trouxeram para o território muitos instrumentos europeus, dentre os quais alguns são de importância fundamental nas sonoridades de alguns estilos da música popular brasileira produzida até hoje, tendo sido incorporados à tradição musical popular fundamentalmente brasileira.

Entre estes instrumentos contam o cavaquinho, o violão e a viola. Por outro lado, outros instrumentos foram trazidos pelos colonizadores lusos: os instrumentos de sopro como o trombone de vara e o clarinete, além de instrumentos de percussão como o pandeiro, e também outros instrumentos melódicos/harmônicos a sanfona e o piano, além de muitos instrumentos utilizados na música erudita, como os instrumentos de arco.

O piano foi um instrumento que, inicialmente, figurava apenas nos meios da corte portuguesa que se transferira para o Brasil, difundindo-se mais tarde nas casas das famílias burguesas, sendo elemento-chave dos saraus familiares.

A contribuição portuguesa ainda se fez presente nas composições destinadas ao trabalho da catequese. Nos dramas religiosos, os chamados autos, destinados ao aprendizado didático da religião cristã pelos indígenas, eram utilizadas composições que serviam como acompanhamento musical. Os autos eram bastante ricos em danças e cantos com acompanhamento instrumental.

O Padre José de Anchieta, um dos expoentes na catequese dos indígenas, foi poeta e compositor em seus próprios autos, buscando estabelecer conexões entre a religião do colonizador e os costumes locais dos índios para que o aprendizado desta religião se fizesse de maneira mais persuasiva e eficaz. Além da utilização da música nos autos, as canções de caráter religioso eram utilizadas em missas, procissões e em diversas outras cerimônias.

Uma outra influência, sendo terminantemente decisiva na influência das sonoridades e dos ritmos brasileiros, foi a contribuição do negro africano, que migrou forçadamente para o Brasil na condição de escravo, sob o jugo colonizador escravocrata. Apesar disto, o negro africano soube conservar e cultivar muito de sua cultura de origem, incorporando nas tradições brasileira suas danças, seus ritmos e as sonoridades de suas canções.

A contribuição africana para a música brasileira foi ainda mais além, com a incorporação de seus instrumentos bastante característicos, eminentemente de percussão. Dentre estes instrumentos estão, por exemplo, o berimbau, a cuíca, o reco-reco, os atabaques. As sonoridades destes instrumentos foram, a partir daí, largamente utilizadas na canção popular do Brasil, constituindo então uma das chaves da nossa música.

Cabe também citar outras influências musicais, como a espanhola, que trouxe para o território nacional alguns ritmos hoje pouco divulgados, mas ainda presentes nas tradições de algumas regiões do país, como a tirana. Outros ritmos de origem espanhola são o fandango, predominantemente fixado nas tradições coletivas da região litorânea dos estados da Região Sul, e o zarambeque.

Por outro lado, a influência francesa se fez marcadamente presente nas populares cantigas de roda infantis, que no Brasil passaram a ganhar versões livres e condizentes com a realidade cultural brasileira. As danças de quadrilha ainda hoje bastante conhecidas também são de origem francesa, provavelmente provenientes das danças da corte francesa.

Apresentam-se, nesta modalidade, aspectos muito peculiares e ainda presentes nas quadrilhas, como o modo cordial entre os pares na dança. Tais características marcam as tradições coletivas do interior das mais diversas regiões do país, notadamente no interior da Região Sudeste.

As canções que se tornaram parte de um folclore típico forneceram as bases para a formação de uma música popular de feições exclusivamente brasileiras, que foram ganhando aspectos da “cor local”. Uma primeira personalidade a ser citada é Domingos Caldas Barbosa (RJ,1739 - Lisboa,1800), mulato ao qual atesta-se a autoria das primeiras modinhas e lundus já impregnados com feições brasileiras.

As composições de Caldas Barbosa, cheias de vitalidade e malícia, fizeram grande sucesso entre as camadas nobres da sociedade portuguesa, pois o compositor, transferido para Portugal em 1763, figurou como compositor aclamado na corte portuguesa do século XVIII. Foi, por assim dizer, o primeiro compositor brasileiro a sair do anonimato.

A partir deste instante, a modinha tornou-se um dos primeiros gêneros de difusão popular, apreciado tanto nos meios aristocráticos (modinhas que seguiam mais notadamente alguns aspectos harmônicos mais eruditos em suas composições) quanto por grupos de extração social popular, conforme foi ganhando feições de composição mais populares com o acréscimo da sonoridade da viola. Desta forma, a música popular mostra uma das suas peculiaridades: sua difusão acompanha certas tendências estéticas e ainda tendências de gosto.

Paralelamente a essa tendência de popularização do gênero, muitos dos grandes compositores das modinhas, como o Padre José Maurício Nunes (RJ, 1767-1830), Cândido Inácio da Silva (RJ, 1800-38) e Francisco Manuel da Silva (este compositor do Hino Nacional, em 1831) compunham obras de cunho religioso ou óperas executadas no Teatro Lírico Fluminense. A tendência popular da modinha se fez presente através de vários outros compositores: Xisto Bahia (BA, 1841 - RJ, 1894), embora não tivesse educação musical formal, foi compositor, cantor, letrista e violonista, alcançando fama nacional com suas apresentações em diversos teatros brasileiros; Domingos da Rocha Mussurunga (1807-1856), que se destacou ainda pelas sua luta para o estabelecimento de um Conservatório de Música local que ministrasse o aprendizado da música segundo as tradições que estavam se firmando então; o padre Guilherme Pinto da Silveira Sales.

Neste período, a poesia e a música muito se aproximavam, e poemas de Castro Alves (1847 - 1871) foram musicados (Gondoleiro do Amor, musicado por Salvador Fábregas, e Minha Maria, musicado em forma de lundu por Xisto Bahia). Até mesmo um dos nossos grandes nomes da música brasileira erudita incorreu em composições ao sabor mais popular das modinhas: Carlos Gomes chegou a compor modinhas, entre elas a romântica Tão Longe de Mim Distante.

Outros nomes do século XIX cuja importância deve ser mencionada: o compositor Henrique Alves de Mesquita, tendo sido o compositor do primeiro tango brasileiro, ao qual ainda se atribui o título de precursor do choro, tendo ao lado seu aluno em composição e regência, o flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (RJ, 1848 - 1880); a dupla formada pelo violonista João de Almeida Cunha e Laurindo Rabelo (conhecido como “Poeta Lagartixa”).

As modinhas, os lundus e as polcas foram se tornando bastante vinculadas ao meio boêmio carioca do início do século XIX. Nas gerações posteriores, estes gêneros foram sendo substituídos pelo advento de novas tendências estéticas e de gosto, com o surgimento do choro e do maxixe.

O nascimento do choro é atribuído ao período em torno de 1870. O Rio de Janeiro, dada sua importância política e sua intensa vida cultural, tornou-se o centro de irradiação das tendências que se afiguravam. Compositores de outros estados acabavam por se estabelecer no Rio Janeiro, onde encontravam grande espaço para suas composições, dada a abertura de várias casas editoras.

A popularização das modinhas, como já foi dito, se deveu à incorporação do violão como instrumento preferido, substituindo o piano e assim ganhando as ruas e os meios boêmios. As modinhas foram cedendo lugar ao choro. Neste contexto surgiu o poeta Catulo da Paixão Cearense (São Luís do Maranhão, 1863 ou 66 - RJ, 1946), que juntou-se aos boêmios “chorões” Sátiro Bilhar, Quincas Laranjeira e Viriato.

Catulo da Paixão Cearense escreveu versos que foram utilizados, por exemplo, pelo grande compositor Ernesto Nazaré (RJ, 1863 - 1933). Este último, tendo sido compositor de 218 canções ao sabor miscigenado do erudito com o popular, deixou um repertório de obras primas da música brasileira, dentre as quais citam-se Apanhei-te, Cavaquinho, Brejeiro, Atlântico e sua famosíssima canção Odeon.

O compositor, apesar do reconhecimento do grande mérito de sua obra nos dias de hoje, faleceu no esquecimento e na solidão. Outro grande nome que deve ser sempre lembrado é o de Chiquinha Gonzaga, pioneira como compositora e como figura feminina na música popular brasileira.

Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marcha especialmente feita para o carnaval: Ô Abre Alas, a pedido do então cordão Rosa de Ouro, em 1899. O conjunto da obra da compositora chega a mais de 2000 canções.

A tradição do choro, já possuindo outros grandes nomes precursores como Anacleto de Medeiros e Irineu de Almeida, foi logo premiada com o maior nome do choro: o compositor e instrumentista Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha (RJ, 1897 - 1973). É de autoria desse grande compositor uma das canções brasileiras mais populares até hoje: o Carinhoso (1928).

Pixinguinha, ao final da década de 20, foi responsável pela formação do legendário conjunto de choro, Os Oito Batutas, do qual ele próprio fez parte, além de José Alves, Jacó Palmieri, Luís Silva, China (irmão de Pixinguinha), Nélson Alves, Raul Palmieri, João Pernambuco e Donga. Em seu falecimento, o grande mestre do choro teve a homenagem de 2.000 vozes cantando o Carinhoso em seu sepultamento.

Além de Carinhoso, muitas de suas composições tornaram-se verdadeiros “hinos”do choro brasileiro (com Ingênuo, Vou Vivendo, Um a Zero, Naquele Tempo.

O choro também tomou conta dos chamados conjuntos de foxtrote (as jazz-bands) através da iniciativa de Romeu Silva, que verteu o ritmo brasileiro para o jazz americano. No auge das jazz-bands, surge nesse contexto histórico da música brasileira um conjunto nordestino: os Turunas Pernambucanos, que trouxeram os ritmos do nordeste para o Rio de 1922, então capital da República.

São Paulo também contou com alguns grandes nomes do choro, como Armandinho Neves (1902 - 1976), Garoto, Gaó, Copinha e Bonfíglio de Oliveira.

Em 1917, paralelamente ao sucesso do choro, um novo gênero surgiu, gênero este que tornou-se uma das marcas mais fundamentais da música brasileira: o samba, de provável origem baiana, surgiu nos meios de divulgação com a histórica canção Pelo Telefone, e o ritmo ganhou a partir daí a predominância nos ritmos do carnaval carioca. Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga (RJ, 1889 - 1974) juntamente com Mauro de Almeida, teve o primeiro samba registrado em gravação. Os compositores de choro, como Pixinguinha, imediatamente responderam musicalmente a essa então nova tendência, que permaneceu de maneira distintiva na história da música popular brasileira. Ainda assim, o ritmo das marchas não abandonou carnaval, disputando a preferência com o novo gênero.

Já a década de 30 foi constituída de uma verdadeira explosão de grandes compositores brasileiros: Lamartine Babo (RJ, 1904 - 1963) lançou canções que até hoje são conhecidas de foliões carnavalescos e do público em geral: O Teu Cabelo Não Nega e Linda Morena são muito cantados nos carnavais mais contemporâneos; Noel Rosa, que se tornou outro grande mito da música popular, tem ainda suas canções na memória do povo brasileiro (morreu aos 26 anos de idade, deixando um conjuntos de mais de 200 canções, entre elas Camisa Listada) : Ari Barroso, em suas composições, exaltou as belezas do Brasil, compondo canções inesquecíveis como Aquarela Brasileira. Citam-se ainda os nomes de Assis Valente, Benedito Lacerda, assim como importantes parcerias de compositores, como a dupla João de Barro e Alberto Ribeiro (Touradas em Madri), Nássara e Frazão (Florisbela), e ainda a dupla Bide e Marçal (Agora é Cinza).

Esta década mesma ainda se desenrolou tendo como fundo musical as famosas canções de André Filho (Cidade Maravilhosa) e da dupla Jararaca e Vicente Paiva, com uma das marchinhas até hoje mais conhecidas, Mamãe Eu Quero.

Esta época constituiu o início da era de ouro do rádio, tendo sido embalada pelas vozes de Carmen Miranda, Araci de Almeida, Francisco Alves, Mário Reis, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Almirante, as irmãs Dircinha e Linda Batista, o tenor Vicente Celestino e muitos outros. Tais cantores foram os intérpretes e ainda divulgadores das mais belas canções dos grandes compositores de sua geração.

Nos anos seguintes, nas décadas de 40 e 50, a produção de marchas carnavalescas de grande sucesso não parou. Marchinhas como Cordão dos Puxa-sacos (de Roberto Martins, com Frazão), Nega do Cabelo Duro (de Rubens Soares e Davi Nasser), Alá-la-ô (de Haroldo Lobo, com Nássara), Nós os Carecas (de Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior). Deve ser necessariamente citado o samba de Mário Lago e Ataulfo Alves, até hoje de grande popularidade: Amélia.

No campo dos grandes intérpretes da época, outro grande sucesso foi Nélson Gonçalves, com canções de caráter boêmio e romântico; o destacaram-se também as figuras das “rivais” Marlene (que se destacou em 52 com a gravação de Lata d’água) e Emilinha Borba (disputaram entre si o título de Rainha do Rádio de 1949; esta gravou a canção Chiquita Bacana, de autoria de Alberto Ribeiro e João de Barro, muito popular até os dias atuais). Juntamente com Emilinha Borba e Marlene, a cantora Dalva de Oliveira foi uma das cantoras mais populares dos anos 40, ao lado da dupla Preto e Branco, formada por Herivelto Martins e Nilo Chagas, formando então o Trio de Ouro.

Foi de Herivelto Martins, através da voz de Dalva de Oliveira, uma das canções muito populares: Ave Maria do Morro. A cantora tornou-se, em 52, a nova Rainha do Rádio, após um período de ausência em sua carreira. Voltou a brilhar mais tarde, no carnaval de 1970, com a popularíssima marcha-rancho Bandeira Branca.

De volta à década de 50, outra grande estrela intérprete foi Ângela Maria, com a interpretação de músicas ao gosto romântico. Seu sucesso firmou-se através de suas apresentações na célebre Rádio Nacional, em programas de auditório de grandiosa popularidade. A interpretação de Ângela Maria na canção Babalu é considerada inigualável.

Aliás, a Rádio Nacional teve grande papel na descoberta e divulgação dos novos valores de então. Por exemplo, Caubi Peixoto foi lançado em programa da emissora, no ano de 1954.

Ainda nos anos 50 o Rio de Janeiro assistiu a grande expansão das escolas de samba, ao passo que o carnaval de rua cedia algum espaço para esta nova realidade. O contexto da expansão das escolas de samba foi premiado, mais tarde, com alguns ardorosos compositores, como Cartola e Carlos Cachaça (fundadores da Mangueira), Dona Ivone Lara e Mano Décio da Viola (um dos fundadores da Império Serrano, juntamente com Silas de Oliveira), João Nogueira e Zé Keti (Portela), Duduca e Nescarzinho de Salgueiro e muitos outros.

Em geração posterior, Martinho da Vila foi e é um dos grandes compositores de samba vinculados à atividade das escolas: Martinho compôs o samba-enredo Kizomba, a Festa da Raça, que levou a Vila Isabel ao título de campeã do desfile de 1988. Ao lado de seu trabalho com a Vila Isabel, Martinho da Vila é compositor de canções de amplo sucesso, como Madalena e Casa de Bamba. Outro nome a ser destacado, de geração anterior à de Martinho, é o cantor Jamelão (RJ, 1913), desde 50 até os dias de hoje puxador de samba da Mangueira.

Em contrapartida, em Salvador, foi criado o primeiro trio elétrico, que fomentaria a grande explosão do carnaval de rua baiano. A dupla Dodô e Osmar foi a responsável pela criação do trio elétrico, na época tendo sido montado em um Ford “bigode”. Em Pernambuco, o frevo, cuja criação se deu em 1909, por Zuzinha, ganhou força a partir dos anos 30 e prosseguiu como modalidade de dança e música original do animadíssimo carnaval nordestino.

O samba pediu passagem e seguiu em frente com novas gerações de compositores de grande importância no contexto histórico da música popular brasileira, tendo nomes como Dorival Caymmi e Lupicínio Rodrigues, ambos compositores e intérpretes de suas próprias canções. Em São Paulo, surgiu a grande figura do samba paulistano, com Adoniran Barbosa, que teve muitas de suas canções gravadas e reverenciadas por intérpretes como Elis Regina.

Adoniran Barbosa deixou um legado no qual encontramos um dos hinos do samba paulista, Trem das Onze, em que a cor local paulistana foi retratada de maneira tanto prosaica como poética. Nesta mesma época, surgiu o conjunto paulista até hoje presente, os Demônios da Garoa, que mantém viva a chama do samba de Adoniran Barbosa.

Os anos 60 foram palco de um estreitamento dos laços entre a classe média e as escolas de samba, tendo como resultado a aproximação entre sambistas e intelectuais. A temática do samba-enredo acabou por ganhar em sofisticação, como se observa em O Mundo Encantado de Monteiro Lobato, que levou a Mangueira ao campeonato em 1967.

Com o grande crescimento da festa popular, o desfile das escolas de samba tornou-se um dos símbolos da festa carnavalesca, ganhando espaços como a rua Marquês do Sapucaí (1978) e, mais tarde, em 1984, o Sambódromo, cujo projeto arquitetônico foi assinado por Oscar Niemeyer.

Desde os anos 40, algo estava se transformando no samba carioca. O maestro Radamés Gnatalli, com suas orquestrações de cunho moderno, já havia realizado, ao lado do próprio Pixinguinha, a regência de grandes acompanhamentos orquestrais dirigidos à música popular. Estas orquestrações tinham, como meio divulgador, a Rádio Nacional, que dedicava por sua vez programas semanais às orquestras regidas por Gnatalli (Quando os Maestros se Encontram).

O compositor Johnny Alf (RJ, 1929) já havia se manifestado como um precursor harmônico-melódico do que mais tarde seria chamado Bossa-nova, com a canção Rapaz de Bem, de 1953. Entre os fundadores do Sinatra-Farney Fã-clube estavam Jobim, Farney, Jonnhy Alf, Luís Bonfá e a cantora Nora Ney. Um dos intérpretes do samba desta nova tendência que se afigurava no cenário da música brasileira foi Dick Farney.

O cantor utilizava certas sonoridades jazzísticas para a interpretação de sambas. A gravação pioneira de Copacabana com a utilização de instrumentos vinculados à música erudita (conjunto de cordas) foi realizada com a participação de Farney, sob a regência de Gnatalli. Lúcio Alves e Dick Farney gravaram seu samba-canção Teresa da Praia (em parceria com Billy Blanco), quando um jovem compositor se afirmava no cenário da época, em 1954: Tom Jobim (RJ, 1927 - 1994).

Suas canções, mesclando música erudita as com sonoridades nacionais, o imaginário e a cor local brasileira, estabeleceram um caminho a ser trilhado por todos os compositores que o sucederam. Obteve aclamação mundial, tendo suas canções difundidas na mídia internacional. Sua obra foi um grande veículo de divulgação da música brasileira no âmbito internacional.

Foi Jobim o compositor que deixou como legado as canções fundamentais do movimento Bossa-nova, em parceria com Newton Mendonça: Samba de uma Nota Só e Desafinado são duas canções clássicas do contexto, que ganhariam, mais pouco mais tarde, a voz daquele que por muitos é considerado o seu intérprete ideal: com o lançamento do disco Chega de Saudade, de orquestração de Tom Jobim, surge o chamado Papa da Bossa-nova, João Gilberto.

Com sua voz e suas inovações harmônicas no violão, João Gilberto causou grande estardalhaço no cenário da música popular. O ouvido e o gosto do público não estavam preparados para tais inovações harmônicas, que foram gradualmente compreendidas mais tarde.

Neste período uma verdadeira explosão de talentos foi gerada: o poeta Vinícius de Moraes (RJ, 1913 - 1980) formou, ao lado de Jobim, a parceria mais consagrada da Bossa-nova, com canções como Chega de Saudade, Garota de Ipanema (que tornou-se uma das canções mais populares no mundo inteiro) e Se Todos Fossem Iguais a Você. Além de Jobim, Vinícius de Moraes teve como parceiros outros grandes talentos que até então iam se afirmando definitivamente na música brasileira: Toquinho, Chico Buarque (que, mais tarde, seria também parceiro de composição de Jobim), Edu Lobo, Carlos Lyra, o maestro Cláudio Santoro e o violonista e compositor Baden Powell.

Carlos Lyra, juntamente com Roberto Menescal, fundou uma academia de violão que acabou por se tornar o ponto de encontro do meio artístico da época. Carlos Lyra, aliás, mais tarde, inovaria na Bossa-nova, estabelecendo temáticas de caráter mais intelectualizado e engajado. Ainda foi o fundador do Centro Popular de Cultura, ao lado de Oduvaldo Vianna Filho e o poeta Ferreira Gullar.

Já Roberto Menescal foi professor de violão uma das intérpretes integrantes do movimento Bossa-nova: Nara Leão (1942 - 1989). Roberto Menescal ainda é um grande descobridor de talentos, como foi o caso, mais recentemente, do lançamento da cantora Leila Pinheiro, cujo sucesso já é plenamente consolidado em interpretações atualizadas de canções da bossa.

Chico Buarque de Holanda, por sua vez, tornou-se um dos maiores nomes da música popular brasileira. Irmão de Miúcha, desde cedo entrou em contato com o círculo de artistas importantes da época, como Alaíde Costa, Oscar Castro Neves e Baden Powell. Sua primeira grande conquista em termos de mídia brasileira ocorreu com a vitória da canção A Banda, composta por Chico e interpretada por ele mesmo e por Nara Leão no II Festival de MPB, promovido em 1966 pela TV Record.

Chico permaneceu na música, tendo como futuro parceiro Tom Jobim. Muitas das canções de Chico são consideradas verdadeiras obras-primas da poética na música popular (como, por exemplo, a elaboradíssima Construção). Sua influência é definitiva na produção musical brasileira.

Ainda na bossa nova, muitos intérpretes devem ser citados: Maysa foi a intérprete da primeira gravação de O Barquinho, e seu primeiro trabalho possuía um repertório basicamente constituído de sambas- canções de fossa, como Meu Mundo Caiu; Elizeth Cardoso, já tornada popular desde a chamada Fase de Ouro do rádio, gravou em 58 um LP com repertório composto por Tom Jobim em parceira com Vinícius de Moraes, ao som do violão bossa-novista de João Gilberto.

Nesse período aqui descrito, o rádio vai cedendo espaço a um novo veículo de comunicação: a TV surgiu no Brasil em 1950. Dos meados ao final da década de 60, a TV obteve grande desenvolvimento através da canção popular brasileira, posta em evidência através dos grandes festivais da época. Nesse contexto, surgiram e foram amplamente divulgados novos talentos da MPB.

Elis Regina, por exemplo, já tomava a dianteira de uma nova fase da bossa nova, inclusive ganhando o I Festival de MPB, televisionado pela extinta TV Excelsior. Mais tarde, Elis Regina, ao lado de Jair Rodrigues, comandou o programa de grande audiência da TV em sua época, O Fino da Bossa. Chico Buarque, como já foi dito, foi premiado com uma de suas canções no II Festival de MPB, compartilhando o prêmio com a canção Disparada, de autoria de Théo de Barros e Geraldo Vandré, interpretada por Jair Rodrigues.

Os festivais inicialmente surgiram através da cobertura da extinta TV Excelsior paulista.Os grandes festivais tiveram prosseguimento com a produção da TV Record em seu período de auge de audiência. Mas a TV Record, após incêndios danosos em suas instalações, não puderam prosseguir com produções do mesmo nível, gerando inclusive sinais de grande crise nos festivais, que foram, nas suas últimas versões, produzidos pela antiga TV Rio e prosseguiram até sua “extinção” nos anos 80, com as suas transmissões realizadas pela TV Globo.

Além do fato de a Bossa-nova ter inovado o quadro musical brasileiro, este movimento foi a pedra de toque para o despertar de vários nomes vinculados às mais diversas tendências: Roberto Carlos, posterior líder da chamada Jovem Guarda, iniciou sua carreira fazendo um gênero comportado, por assim dizer, ao modo de João Gilberto: Caetano Veloso (1942-) teve João Gilberto como um de seus grandes ídolos, embora suas novas propostas fossem bem diversas, seguindo uma linha evolutiva da música popular brasileira a partir das tradições já estabelecidas, fazendo estardalhaço, entre vaias e aplausos, com sua canção Alegria, Alegria: Gilberto Gil (1942- ) teve grande participação nos festivais, inclusive em sua canção Domingo no Parque, que interpretara ao lado do conjunto Os Mutantes (com Rita Lee e os irmãos Sérgio e Arnaldo Batista).

A Bossa-nova, que já encontrava em si mesma duas vertentes (a romântica e a engajada, como observa-se no compositor Marcos Valle, que chegou a abraçar ambas as tendência), foi um ponto de partida para tendências bastante diferentes. É o que observamos nas tendências musicais que se sucederam, como a Jovem Guarda e a Tropicália.

Roberto Carlos, liderando a Jovem Guarda, iniciou sua carreira ao estilo do próprio João Gilberto, mais tarde desvinculando-se dessa linha, trilhando pelo caminho calcado no romantismo do rock and roll norte-americano dos anos 50 a 60. Do movimento tropicalista fizeram parte talentos como Gilberto Gil (1942- ), Caetano Veloso (1942-), Tom Zé, assim como a banda Os Mutantes na vertente do “rock tropicalista”. Com uma nova linguagem, os tropicalistas preencheram espaços até então vazios no quadro musical brasileiro, numa época em que era eminente a explosão de criatividade em nível internacional.

O Tropicalismo brasileiro foi responsável pela até então inviável conciliação, na música brasileira, entre os conceitos de universalismo e regionalismo. Ainda mais, gerou grandes transformações na inibida cultura brasileira da época que, possuindo tradições relativamente novas, buscava caminhos pelos quais pudesse percorrer.

Maria Betânia, irmã de Caetano Veloso (1942-), já brilhava através do show Opinião, tendo substituído Nara Leão. Através da cantora foi dado o estímulo ao irmão Caetano Veloso (1942-) em sua viagem ao Rio. Sem dinheiro e sem projetos acabados, Caetano Veloso (1942-) torna à Bahia, de onde voltaria mais tarde para sua participação nos festivais. Com Alegria, Alegria, de autoria e interpretação de Caetano, acompanhado por músicos argentinos de “iê-iê-iê”, o choque da platéia era evidente: para a mentalidade da época, instrumentos elétricos com guitarra e baixo não seriam os mais adequados para os padrões então vigentes na música popular brasileira.

No entanto, poucos notaram que a canção de Caetano Veloso (1942-) tratava-se basicamente de uma “marchinha”, remontando a um ritmo bastante típico. Foi com a canção-manifesto que deu origem ao nome do movimento, Tropicália, de arranjo orquestral do maestro vanguardista Júlio Medáglia, que Caetano Veloso (1942-) sintetizou uma grande base para o que viria a se tornar o movimento tropicalista. Toda a produção cultural da vanguarda brasileira influenciou o tropicalismo,como o Cinema Novo de Gláuber Rocha, a poesia concreta de Décio Pignatari e dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, o teatro de José Celso Martinez Correa, os novos conceitos nas artes plásticas, através de Hélio Oiticica.

O movimento soube ainda assimilar realidades distintas e até antagônicas da realidade cultural brasileira: tanto cabia nas bases do movimento as vanguardas quanto o regional e o kitsch (como na canção de Gil (1942- ), composta na época de seu exílio, Aquele Abraço: “Alô, alô, seu Chacrinha/Velho palhaço/Alô, alô, Teresinha/Aquele Abraço...”. A poesia tropicalista teve na figura de Torquato Neto (1944-1972) a sua maior expressão.

Torquato foi inclusive o poeta de canções capitais no contexto do movimento, como Marginália II e Geléia Geral.

Gilberto Gil (1942- ) foi um grande músico/compositor do movimento tropicalista. Surgiu já antes do movimento através dos festivais de MPB, onde mais tarde, já figurando no movimento, participou com a canção Domingo no Parque, juntamente com a banda Os Mutantes. Sua grande musicalidade foi responsável por algumas das mais belas canções do movimento tropicalista e da música popular brasileira como um todo.

Grandes intérpretes surgiram com a Tropicália. Além de Betânia, cujo sucesso já era anterior ao movimento, outros nomes surgiram, como a “musa tropicalista” Gal Costa, que deu voz muitas canções de Caetano Veloso (1942-), entre elas Baby. Pode-se dizer, ainda, que um dos tropicalistas mais sui-generis foi Jorge Ben (hoje com o nome de Jorge Benjor) com sua canção Charles Anjo 45, que foi inscrita no IV Festival Internacional da Canção e saiu mal classificada, tendo sido mais tarde gravada em parceria com Caetano Veloso (1942-).

Nas gerações posteriores que deram continuidade ao movimento tropicalista, surgiram nomes como os compositores Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e ainda as musas da vanguarda neo-tropicalista, as intérpretes Tetê Espíndola e Eliete Negreiros. Em São Paulo, na época do antológico Teatro Lira Paulistana, surgiram grupos importantes como o Premeditando o Breque e grupo Rumo. Da Bahia, novos talentos surgiram com os Novos Baianos, de onde destacaram-se Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Moraes Moreira.

A voz de veia nordestina neo-tropicalista se fez presente através das cancões de Alceu Valença.

Pode-se dizer que o rock brasileiro foi originado basicamente tanto das tendência da Jovem Guarda quanto das tendências tropicalistas. A primeira incursão brasileira no rock está registrada no nome de Nora Ney, cantora adepta do estilo fossa, que gravou uma versão brasileira da canção Rock Around the Clock. Cauby Peixoto também teve sua incursão no rock na canção composta por Miguel Gustavo, Rock and Roll em Copacabana.

Ainda nas origens do rock, quando a influência norte-americana ainda se fazia bastante presente, as canções mais populares deste contexto foram gravadas por Celly Campelo: Estúpido Cupido foi uma versão brasileira da canção de Neil Sedaka; a ingênua Banho de Lua é contemporânea da fase pela qual passava a juventude norte-americana, fase esta retratada no filme Juventude Transviada, com a atuação do mitológico James Dean.

O rock brasileiro passou a ter, com a Jovem Guarda, a adesão em massa da juventude no Brasil dos anos 60. Consagraram-se nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos (“o Tremendão”), além de intérpretes como Wanderléia, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Rosemary, Jerry Adriani e Sérgio Reis (que mais tarde mudaria radicalmente de estilo, voltando-se para o estilo sertanejo). A origem das bandas brasileiras de rock têm como representantes Os Incríveis e Renato e seu Blue Caps.

Com o advento da tropicália, surgiu no cenário musical brasileiro a banda Os Mutantes, que mudaram radicalmente o estilo roqueiro brasileiro. No início de sua carreira, Os Mutantes, tendo como integrantes Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, acompanharam Gilberto Gil (1942- ) na canção Domingo no Parque, no III Festival de MPB, além de ter acompanhado Caetano Veloso (1942-) no III Festival Internacional da Canção, gravando com ele a canção É Proibido Proibir. Uma outra gravação bastante famosa dos Mutantes foi Panis et Circensis, de Caetano Veloso (1942-).

Enquanto isso, a Bahia provava que também podia exportar o rock para as demais regiões do Brasil. Surgiu um dos nomes até hoje mais cultuados do rock brasileiro: Raul Seixas. Este recebeu as influências mais diversas, desde o baião de Luís Gonzaga até o rock mais agressivo de Elvis Presley. Raul iniciou sua carreira na Bahia, participando de uma banda cujo nome era Raulzito e seus Panteras.

Foi progressivamente mudando o estilo de algumas de suas músicas, escrevendo letras de cunho místico, algumas delas em parceria com Paulo Coelho.

As gerações posteriores do rock brasileiro tiveram nomes como Lulu Santos, Ritchie, Lobão (inicialmente com a banda Blitz, mais tarde com Lobão e seus Ronaldos e, em seguida, em carreira solo). Muitas bandas, de estilos bastante diversos, apareceram no cenário do rock brasil. O estilo do deboche ficou por conta da banda Ultraje a Rigor ; o rock baiano voltou na figura de Marcelo Nova com a banda Camisa de Vênus; a influência punk surgiu com a banda originada no ABC paulista, os Garotos Podres; o Planalto Central exportou muitas bandas como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso; os Titãs passaram do pop ao mais agressivo estilo de rock dos anos 90.

Os anos 80 ainda contaram com as bandas Barão Vermelho (com Cazuza como integrante), Kid Abelha, João Penca e seus Miquinhos Amestrados. De meados de 86 até hoje, surgiram ainda bandas como os gaúchos Engenheiros do Hawaii; Brasília exportou mais nomes, como a banda Plebe Rude; o rock paulista gerou bandas muito distintas entre si, como o RPM, Inocentes e a banda “underground “ dos anos 80, Ira! Nos anos 90 o rock brasileiro ganhou novas tendências, como por exemplo com a banda Raimundos, também de Brasília, que funde o rock mais agressivo com o baião/repente, ao modo de Raul Seixas em algumas de suas músicas. A banda Pato Fu, de Minas Gerais, mostra seu rock bastante peculiar e sensível. O reggae passou a ser mais explorado pelo rock com a banda mineira Skank.

Paralelamente à explosão das bandas de rock, a música brasileira manteve sua essência rítmica em muitos outros talentos. Fazendo um breve retorno aos difíceis tempos da ditadura no Brasil, com a decretação do AI-5, muitos compositores foram forçados ao exílio, como foi o caso de Caetano Veloso (1942-) e Gilberto Gil (1942- ), Chico Buarque e Geraldo Vandré.

Uma das forças de resistência da música brasileira neste período ocorreu na música de Milton Nascimento. Com ele, surgiu o grupo de Minas, com nomes como Wagner Tiso, Toninho Horta, Beto Guedes, Lô Borges. Já retomando os anos 70 e 80, quando a abertura política viabilizava uma maior (mas ainda restrita) liberdade de expressão, surgiram grandes talentos que estabeleceram definitivamente seus nomes na história da música popular: João Bosco, compositor e violonista, transitou pelos mais variados ritmos utilizando recursos harmônicos bastante inusitados, tendo muitas letras de suas canções compostas pelo parceiro Aldir Blanc.

Em parte de sua produção, João Bosco, assim como o filho de Luís Gonzaga, Gonzaguinha, transcenderam os limites da temática da MPB e da própria censura, compondo canções declaradamente engajadas. Citam-se ainda neste contexto as parcerias entre Ivan Lins e Vítor Martins, Jards Macalé e Waly Salomão.

As décadas de 70 e 80 assistiram o surgimento de muitos nomes importantes na MPB: na década de 70, foi a vez de Simone, Elba Ramalho e Zizi Possi; em fins dos anos 80, surgiu Marisa Monte; Adriana Calcanhoto surgiu já na década de 90. A música jazzística foi mesclada aos ritmos e à linguagem brasileira por um grande talento: Djavan. Ney Matogrosso, cuja carreira é remontada ao grupo de curta mas brilhante aparição, Secos e Molhados (73/74), tomou os rumos de uma carreira solo bem-sucedida.

Mais recentemente, Ney Matogrosso interpretou canções clássicas da MPB ao lado do violonista Rafael Rabelo, um dos instrumentistas mais importantes que surgiram na contemporaneidade, falecido no ano de 1995. Fafá de Belém teve projeção em 1975, cantando um tema para a novela Gabriela, de grande sucesso de audiência. A partir daí, sua carreira decolou definitivamente.

Do nordeste, grandes nomes surgiram. O multinstrumentista Hermeto Paschoal, manipulando sons da natureza, distendeu os limites de criação musical ao infinito. Fagner deu seqüência ao regionalismo nordestino, inclusive tendo sido parceiro de Luís Gonzaga e do próprio Hermeto.

Outro multinstrumentista e compositor de grande importância foi Egberto Gismonti, responsável pela fusão de estilos mais vinculados ao rock com elementos brasileiros regionais, música indígena e nordestina. Aliás, a lista de grandes instrumentistas não pára aqui: Paulo Moura (saxofonista), Mauro Senise (integrante do grupo Cama de Gato), Nivaldo Ornelas, Márcio Montarroyos, Pascoal Meireles, Robertinho Silva (baterista integrante da banda de Milton Nascimento), o grupo D’Alma (formado por Ulisses Rocha, Mozart Melo e André Geraissati), a banda Pau Brasil, banda Metalurgia, Rique Pantoja e Arthur Maia (respectivamente, tecladista e baixista do Cama de Gato), em muitos outros.

A musicalidade negra veio até nós através de nomes como Tim Maia (um “pai” do soul brasileiro), Jorge Benjor, Luís Melodia, Carlinhos Brown e sua timbalada, Cláudio Zolli, Ed Motta, a banda Conexão Japeri e muitos outros. Por fim. as intérpretes que se destacam no cenário musical brasileiro da atualidade são, mais notadamente, Marisa Monte e Cássia Eller.

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Fonte: •Enciclopédia Digital 99 • ( Literatura e Leitura )•