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Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira tratou-se de uma revolta contra o poderio colonial de Portugal sobre o Brasil, fomentada em Minas Gerais através do processo de declínio em que as atividades mineradoras entravam a partir do século XVIII.

O esgotamento das minas tornava-se evidente, acarretando numa diminuição da produção e empobrecimento das vilas mineiras.

Por outro lado, as tributações exigidas por Portugal eram altíssimas: neste período, metais e pedras preciosas eram largamente contrabandeados como um modo de fugir a tais tributações.

Todos os problemas enfrentados pela atividade mineradora acabam por influir nas demais atividades econômicas exercidas nas regiões de mineração.

Portugal passa a agir de maneira vigorosa, decretando a "derrama" e ampliando seu domínio militar nas regiões das minas.

As atitudes drásticas que iam sendo tomadas por parte de Portugal desagradaram as classes da elite da mineração, que culpavam a metrópole pelo empobrecimento das população das vilas adjacentes às minas.

Entre as elites, acusava-se a metrópole de corrupção. Desta forma, passaram a ocorrer reuniões entre conspiradores para a discussão de soluções para o país, como a própria Independência, discussões clandestinas realizadas à luz das novas idéias iluministas e liberais que surgiam na Europa.

A divulgação deste ideário no Brasil era amplamente censurada. Tais idéias iluministas inspiraram também a própria independência dos Estados Unidos, promulgada em 1776, reforçando assim os ideais de Independência do Brasil entre os conspiradores.

Entre estes, contavam intelectuais como Cláudio Manuel da Costa (1729 - 1789) e Tomás Antônio Gonzaga (1744 - 1810). Um dos principais nomes a que a Inconfidência é vinculada é Joaquim José da Silva Xavier (1748 - 1792), alcunhado Tiradentes (1748 - 1792), um ex-dentista e alferes, de origem popular, diferentemente dos demais conspiradores, provenientes das elites.

Com a ameaça da derrama, um levante era sugerido pelos conspiradores. Porém, Joaquim Silvério dos Reis, um dos conspiradores, ao mesmo tempo em que era responsável por parte da cobrança de impostos da mineração, amedrontado com um possível malogro do levante, denunciou ao Visconde de Barbacena as atividades dos rebeldes.

Em troca, teve antigas dívidas perdoadas. A partir de então, iniciou-se a Devassa, em que os conspiradores foram caçados e, em grande parte, punidos por exílio.

Cláudio Manuel da Costa foi capturado e, dias depois, em sua cela, encontraram-no enforcado: falou-se em suicídio, mas provavelmente tratou-se de um assassinato pelos responsáveis pela captura.

Para Tiradentes, único membro dos conspiradores que não fazia parte da elite, a pena foi mais severa: acusado por seus companheiros como líder da rebelião, Tiradentes foi esquartejado à título de exemplaridade punitiva, pois na Europa já estourava a Revolução Francesa, causando temor nas autoridades, que passaram a agir com a maior severidade.

Os membros dilacerados de Tiradentes foram expostos em diversos locais públicos para fins de uma grosseira demonstração de forças por parte das autoridades oficiais.

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Fonte: •Enciclopédia Digital 99 • ( Literatura e Leitura )•