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Guerra do Vietnã

A guerra do Vietnã é resultado direto do que os desmandos imperialistas ocidentais podem causar ao mundo. Ao impôr, às regiões dominadas, realidades absolutamente fora de seus contextos, os países ocidentais causaram os mais profundos desastres nas jovens nações que foram vítimas de tais arbitrariedades.

No caso do Vietnã, após a guerra da Indochina, o país foi dividido em dois pelo paralelo 17. As duas partes resultantes tomaram, então, rumos completamente diferentes para atingir o desenvolvimento:.

1) o Vietnã do Norte, sob o comando de Ho Chi Minh, adotou a linha comunista, realizando profundas reformas no território ao implantar uma reforma agrária completa e efetiva e ao instituir a planificação econômica (medidas que acabaram com o analfabetismo no país e promoveram um rápido progresso social). Além disso, o Vietnã do Norte trabalhava intensamente para alcançar a rápida reunificação do país, prevista pela Convenção de Genebra.

2) Já o Vietnã do Sul, chefiado pelo ditador e católico fervoroso Ngo Dinh Diem (que ascendera ao poder via golpe militar, em 1955), promoveu intensa perseguição às outras religiões e às minorias étnicas.

Financiado pelos EUA, o regime ditatorial combatia o “perigo vermelho” representado pelo país vizinho e rechaçava veementemente a idéia de reunificação. Contudo, socialmente, nada foi feito no país durante esse ínterim; a única preocupação era deter o comunismo, uma autêntica paranóia tanto americana quanto do próprio Diem.

Diante desse quadro, a população do Sul revoltou-se e passou a reivindicar as mesmas condições prósperas de seus conterrâneos do Norte. Assim, com apoio de Ho Chi Minh, foi criada a Frente de Libertação Nacional, resistência comunista do Sul cujo braço armado era o exército vietcongue.

À luta do governo ditatorial do Vietnã do Sul contra os vietcongues deu-se o nome de guerra do Vietnã. Logo, o conflito adquiriu proporções gigantescas. Os americanos, sob ordens diretas de seu então presidente, John Kennedy, interferiram no conflito, enviando à região dez mil conselheiros militares, que instalaram no país comandos militares.

A população, entretanto, apoiava amplamente os vietcongues, que lutavam para pôr fim à ditadura e à intolerância do regime de Ngo Dinh Diem. Para chamar a atenção mundial sobre isso, em 1963, um grupo de monges budistas ateou fogo aos próprios corpos em praça pública, atitude desesperada que chocou todo o planeta (inclusive os americanos).

Naquele mesmo ano, Diem foi assassinado no primeiro de uma série de sucessivos golpes militares, que só fizeram aumentar o caos instalado no Vietnã do Sul. Frente a essa situação, o presidente Lyndon Johnson (substituto do assassinado Kennedy) viu-se no dever de intervir diretamente. Utilizando como pretexto um ataque do Norte a posições americanas no Golfo de Tonquim, ele intensificou o envio de tropas americanas e os bombardeios sobre o Norte.

A população civil norte-vietnamita foi a maior vítima da guerra. Sobre suas cabeças, armas cruéis, como a bomba de napalm, eram lançadas sem a menor cerimônia ou compaixão. Ainda assim, a guerrilha vietcongue não arrefeceu e, mesmo enfrentando um inimigo tecnologicamente muito superior, colecionou vitórias atrás de vitórias.

Insistente, o presidente americano Richard Nixon (substituto de Johnson) não desistiu, ordenando que seus soldados atacassem a trilha de Ho Chi Minh. Essa trilha era, na verdade, um sistema de transportes exemplarmente camuflado, que ligava o Norte ao Sul e pelo qual os vietcongues recebiam armas, víveres e munições enviados pela China e pela URSS.

Esse sistema passava também pelo Laos e pelo Camboja e os governos desses dois países sabiam disso, e permitiam a manutenção da trilha em seus domínios, fato que os envolveu na guerra a partir de 1970 (Segunda Guerra da Indochina). Entrementes, mesmo com essas medidas, mesmo com os bombardeios sistemáticos sobre Hanói, com o bloqueio aos portos, com as armas químicas, com as torturas, os Estados Unidos não conseguiram frear os vietcongues.

Humilhados e com seus exércitos dizimados, os americanos viram-se forçados a aceitar o Acordo de Paris, que estabelecia o cessar-fogo e previa a formação de um conselho responsável pela marcação de eleições no Sul. Com a saída dos EUA do conflito, seguiram-se alguns anos de guerra civil entre os dois Vietnãs.

Contudo, já extremamente debilitado, o Sul não resistiu e rendeu-se em 75. No ano seguinte, ambos foram reunificados sob o nome República Socialista do Vietnã. No entanto, na prática, a guerra não teve vencedores. Por seu lado, os Estados Unidos nunca foram tão humilhados. Grande exemplo disso é que a população do país culpou diretamente os combatentes pelo fracasso.

Para ela, os responsáveis por essa grande vergonha são os veteranos de guerra e ela não os perdoa. Atualmente, os veteranos são vistos com maus olhos pela sociedade dos EUA e muitos deles sequer conseguem um emprego. Quanto ao Vietnã, seu território foi dizimado (afinal, serviu de laboratório para as armas mais modernas e cruéis que as potências haviam criado até então) e sua população sofre até hoje as consequências econômicas, políticas e sociais do conflito.

Tudo por causa do “perigo vermelho”, que, diga-se, fora bem-sucedido ao levar o Norte aos maiores índices de desenvolvimento da história vietnamita, pouco antes do início do conflito.

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Fonte: •Enciclopédia Digital 99 • ( Literatura e Leitura )•